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Objetivo da audiência foi debater o problema causado pelo mau cheiro na região do Bortolan.
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Na última quinta-feira (06), a Câmara Municipal promoveu uma audiência pública para debater a poluição ambiental na zona oeste, notadamente com relação aos incômodos provocados pelo mau cheiro exalado na região do Bortolan. O pedido para realização do encontro foi feito pelo vereador Antônio Carlos Pereira (DEM), através de um requerimento aprovado por todos os vereadores.
Participaram do debate a diretora do Departamento de Meio Ambiente, Raquel Campedeli Corrêa, o coordenador de Fiscalização, Saneamento Urbano e Educação Ambiental, José Arimathea Pereira Júnior, o presidente da Comissão de Direito Ambiental da 25ª Subseção da OAB/MG, Dr. André Ramos de Souza, além de moradores e comerciantes da zona oeste e membros da Sociedade Amigos de Bairro do Bortolan.
Segundo os representantes do Poder Executivo presentes no debate, o assunto já foi abordado em outras ocasiões pela prefeitura e a Danone, sendo que a empresa demonstrou-se interessada em buscar tecnologias para sanar o problema. Além disso, eles afirmaram que o Departamento de Meio Ambiente tem acompanhado todas as análises e atuado na fiscalização dentro dos limites permitidos pela legislação. Outra questão discutida e comentada pelos componentes da mesa foi a de que o mau cheiro exalado pela Danone não pode ser considerado poluição ambiental, diferentemente, por exemplo, do lançamento de efluentes. Por fim, os representantes da prefeitura asseguraram que a fiscalização é efetiva, mas que muitas outras questões dependem de leis mais específicas e direcionadas.
Representando a 25ª Subseção da OAB/MG, o presidente da Comissão de Direito Ambiental ressaltou que toda e qualquer atividade humana causa impactos ambientais e que é preciso buscar medidas para minimizá-los. Ele afirmou que, em relação ao mau cheiro, embora não existam padrões na legislação, o mesmo pode ser considerado poluição ambiental. Por último, destacou que esse problema pode causar danos à imagem da Danone e que é necessário o estabelecimento de metas para que tal incômodo não aconteça.
Para o vereador Antônio Carlos, foi uma audiência bastante produtiva, apesar da quase nenhuma participação da empresa Danone. “Primeiramente, gostaria de dizer que fiquei decepcionado com a postura da Danone, uma empresa que provoca o mau cheiro terrível em toda a região oeste e compareceu ao debate com apenas três funcionários, usou a palavra somente no final e não falou nada de importante para que possamos ter esperança de resolução do problema. Isso foi um ponto bastante negativo. Para muitos isso não é novidade, visto que a Danone não tem uma ligação com a comunidade local. Ela está operando na cidade, deve pagar seus impostos em dia, mas não tem uma atuação como outras empresas na área social do município. Entretanto, apesar disso, foi uma discussão muito importante”, pontuou.
Segundo o parlamentar, esse debate foi o primeiro passo na busca de soluções para o problema na região oeste. “Foi a primeira oportunidade para resolvermos os problemas que estão incomodando a população. Muitos comerciantes participaram, além do presidente da SAB Bortolan, que relatou outros problemas enfrentados, como caminhões estacionados em locais indevidos, perturbação do silêncio, dentre outros. Esse mau cheiro existe em uma região de alto fluxo de turistas, pois localizam-se ali a Represa Bortolan, o shopping, Terminal Rodoviário, Ginásio Poliesportivo e, claro, uma imensa população que vive reclamando dessa situação”, salientou Pereira.
Outros vereadores também fizeram algumas colocações, inclusive questionando a empresa se em outras unidades, como por exemplo na Europa, ocorre esse tipo de problema. Eles solicitaram que a empresa busque alternativas para evitar que as atividades realizadas exalem esse mau cheiro. Além disso, ressaltaram, ainda, a importância do debate sugerido pelo vereador Antônio Carlos, pois abre espaço para que a comunidade diretamente atingida possa se manifestar. Ao final do evento, o presidente da Câmara, vereador Waldemar Antônio Lemes filho (PMDB), pediu que a ata do encontro seja encaminhada às Comissões de Justiça e de Administração Pública para que seja estudada uma legislação restritiva, concedendo um prazo à empresa para adaptação.